Quer usar algum texto ou parte dele? Clique aqui e saiba como fazer!

Sobre os comentários fechados!

Pessoas queridas! Decidi que fechar os comentários deste blog seria a melhor opção por enquanto. A vida tá corrida e o tempo de ler/responder comentários (uma das coisas mais gostosas que o "blogar" nos proporciona) está curto. Portanto, pra não deixar ninguém sem resposta, decidi que vou postando quando posso, mas os comentários permanecem fechados. Agradeço a compreensão! E obrigada pela visita! *_*

Onde estarão as Luluzinhas?

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre direitos do consumidor. Sobre NOSSOS direitos.

Confesso que pensei muito antes de escrever esse post. Tudo o que a gente fala ou faz traz consequências, e se formos analisar a fundo, ninguém tem liberdade de expressão. Podemos dizer o que quisermos, mas se alguém não gostar, aí começam nossos problemas, e é por isso que "liberdade de expressão" é uma expressão meio utópica, né?


Bom, pensei em milhões de maneiras pra dizer o que vou dizer agora. No primeiro impulso, quando a gente vê "vermelho", a vontade é disparar a metralhadora pra todos os lados, sem se importar com quem vai se machucar ou não. Mas sejamos adultos(as).


Não vou dizer o nome dela aqui, ela já foi exposta e (mal) julgada demais. Mas quando ela ler esse post, vai saber que foi pra ela que eu escrevi. E se por um acaso alguém se sentir magoado ou ofendido com o que eu vou dizer aqui, só lamento. Escrevo esse post sabendo das consequências possíveis: uma provável debandada de visitas, diminuição de seguidores, comentários agressivos, ameaças infundadas ou qualquer coisa tão idiota quanto.


Mas "nunca antes na história deste país" o clichê "O QUE VALE É QUALIDADE, E NÃO QUANTIDADE" foi tão verdadeiro pra mim. E desde que comecei esse blog, o objetivo nunca foi bombar, fazer sucesso, agradar todo mundo, puxar o saco, ter trocentos milhões de seguidores ou coisas do tipo. Também não é uma questão de esnobar as queridas seguidoras. É uma questão de princípios.


Portanto se imaginem na seguinte situação: você faz uma compra pela internet, efetua o pagamento corretamente e envia o comprovante para o vendedor. O vendedor não te responde e, quando responde, te dá informações erradas sobre a sua compra. Você insiste na comunicação com o vendedor, que não te responde mais. O que você faria? Seja sincero com você mesmo: a primeira coisa que você iria pensar é "tomei um prejú do cacete, filha da mãe!"


Qualquer um de nós pensaria isso. Qualquer um de nós se sentiria lesado, injustiçado, reclamaria. Dias depois, você se convence de que perdeu o dinheiro e resolve desabafar. A sua compra chega, e só depois é que o vendedor manda a informação que você precisava, mas agora não adianta mais, você já se achou idiota.


Daí, você descobre que o vendedor está "muito triste", coitadinho, pois ele leu suas reclamações. Dentre várias reações, o vendedor teria algumas opções:


a) Assumir o erro e pedir desculpas através de e-mails, explicando o caso de doença familiar; e resolver o problema de maneira honesta, correta e particular;


ou


b) Escrever um um post dizendo que você o estava difamando e que não estava levando em consideração seu caso de família.


O que a pessoa fez? Escolheu a segunda opção. O resultado disso foi um texto cheio de insinuações de que o comprador estava sem razão de reclamar, que o comprador era uma pessoa fria e calculista que só se preocupava com o seu próprio umbigo e não ligava a mínima para a situação familiar do vendedor.


Por causa desse texto várias pessoas, no desespero que querer bajular, ou no desespero de querer ajudar a amiga vendedora, também escreveram comentários extremamente parciais não somente no blog da vendedora quanto no blog da compradora. Algumas exageraram ao ponto de sugerir instauração de processo por difamação, ó céus. Vários blogs se manifestaram a favor da vendedora. Várias pessoas ameaçaram a compradora através de comentários.


Entenderam a situação? Então agora, como eu disse, sejamos adultos e maduros:


a) O consumidor tem o direito de reclamar de um comprador que não realiza uma venda satisfatória ou não recebe informações corretas sobre a compra. É garantido por lei. É o que eu e você fazemos quando nos sentimos lesados. É o que fez outra compradora que se sentiu lesada pela mesma vendedora, que inclusive entrou em contato com a blogueira compradora para dizer que também se sentiu lesada. Por que houve explicação para uma e não houve explicação para outra? A falta de comunicação é uma das principais causas de desentendimentos entre as pessoas, todo mundo sabe disso e insiste no erro.

Você fez uma compra com a mesma vendedora e se deu bem? Ótimo, que bom pra você! Limite-se a opinar sobre a sua boa experiência com a vendedora. Não se esqueça que o mundo dá voltas e que o próximo problema pode acontecer com você - e eu sinceramente espero que não aconteça, porque ninguém merece essa dor de cabeça.


b) É desonesta a insinuação de que a compradora é fria e calculista e só pensa no próprio umbigo. Ninguém tem bola de cristal para adivinhar os problemas e condições que as outras pessoas estão passando. Se você se propõe a fazer algo, faça direito e com PROFISSIONALISMO: avise através de todos os meios possíveis, e não apenas por blog, sobre os problemas que está passando. É uma prova de que você não está querendo passar a pessoa para trás, é uma prova de que você se preocupa com o seu consumidor.

Não insista em querer convencer de que o vendedor é um(uma) coitadinho(a) incompreendido(a) que só sofre nessa vida e que só quer ajudar as pessoas a comprar produtos mais baratos, e que é o comprador quem deveria te agradecer pelo "favor". Numa relação em que há compra/venda, nunca... repito, NUNCA ninguém quer sair perdendo, e se o vendedor vende, é porque algum lucro tem, ainda que mínimo. Então, não espere que o comprador agradeça, porque quem depende da venda é o vendedor, e não o comprador.


c) É infundada e maldosa a acusação de que a compradora "estava pensando que a vendedora estaria online o dia inteiro". Infelizmente, o blog foi deletado, mas eu e várias pessoas vimos que os e-mails da compradora não foram mandados no mesmo dia, e sim em dias diferentes - o que derruba por terra a acusação totalmente injusta de que a compradora estava "pensando que a vendedora estaria o dia inteiro online". Antes de fazer uma afirmação infundada e maldosa dessas, é melhor se informar o suficiente, ou se corre o risco de ser desmascarado(a) como uma pessoa que não vai procurar saber os dois lados da situação antes de emitir alguma opinião. Opinião é uma coisa séria, importante, que demonstra a sua forma de pensar, portanto antes de abrir a boca pra falar besteira, por favor... se informe. Gente desinformada não tem credibilidade nenhuma nem comigo, nem com o papa.


d) Também é infundada a sugestão de instauração de processo judicial. E se você chegou até aqui, gostaria que prestasse bastante atenção nisso. Existe um Código Brasileiro de Defesa do Consumidor que, dentre outras coisas, considera prática abusiva do fornecedor:


VII - repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício de seus direitos;


Portanto o consumidor tem DIREITO de reclamar quando se sente lesado. A forma de resolver essa questão grita na minha consciência que a vendedora não teria o cuidado e a decência de resolver algum problema que por ventura viesse a acontecer comigo se por um acaso no futuro eu resolvesse comprar com ela. Portanto, querendo evitar essa exposição, decido que nunca na minha vida vou poder colocar na mão dessa pessoa o meu nome pra que ela, algum dia, possa vir a fazer o mesmo comigo. Além disso, é crime:


Art. 66. Fazer afirmação falsa ou enganosa, ou omitir informação relevante sobre a natureza, característica, qualidade, quantidade, segurança, desempenho, durabilidade, preço ou garantia de produtos ou serviços:


Aproveitando que estamos falando em crime, também é crime:


“Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave” (Art. 147 do Código Penal Brasileiro).


Pra bom entendedor, acho que meia palavra basta e eu não precisaria me ater a essa questão, mas como sou detalhista ao extremo, gostaria de dizer a minha querida amiga blogueira que ela nunca sofreria prejuízo penal caso algum processo fosse instaurado. Eu também conheço advogados, mas nem por isso vou sugerir a minha amiga blogueira que leve esse caso á justiça, como foi sugerido á vendedora que se sentiu lesada, e que foi quem lesou, na verdade.

Não vou fazer essa sugestão primeiro porque não quero parecer "entendida" do assunto, nem quero amedrontar ningué. Segundo, porque a situação já foi resolvida, seria muita dor de cabeça por pouca coisa, então deixe pra lá. Mas não se esqueça nunca, minha querida, de que quem tinha razão era você, quem não recebeu as devidas informações corretas foi você. Não tenha vergonha de ter exercido o seu direito.


Console-se por saber que, quando algumas daquelas meninas - as mesmas que jogaram pedra em você por ter exercido o seu direito de consumidora - tiverem algum problema com seus fornecedores e pensarem na hipótese de reclamar pelos direitos, elas vão lembrar do que fizeram com você e, por fim, descobrir que era você quem tinha razão. E vão sentir vergonha de terem te ameaçado e deixado comentários maldosos e agressivos no seu blog, os quais te atingiram de maneira tão injusta que te fizeram deletá-lo desnecessariamente. Quem sabe, por vergonha, elas também não deletem o próprio blog, mas o mais provável é que fiquem bem quietinhas, agindo com a covardia de quem morrerá de medo de receber o mesmo tipo de comentário agressivo e intimidativo que escreveram pra você.


e) Por fim, não gostaria de parecer insensível aos problemas familiares dos outros, mas... todos nós temos problemas e cabe a nós mantermos nosso profissionalismo mesmo em meio a situações críticas. O cliente do banco não quer saber se eu deixei de efetuar um depósito porque meu filho está doente no hospital. O pai do meu aluno não vai aceitar que eu maltrate seu filho porque meu pai ou a minha mãe chegam em casa bêbados toda a noite ou porque eu apanhei na minha infância. A minha supervisora não vai aceitar problemas pessoais como desculpa para não ter um bom desempenho no emprego, e assim por diante.

Infelizmente, uma das injustiças que a sociedade em que vivemos nos impõe é que coloquemos nosso profissionalismo antes de qualquer outra coisa. E que fique bem claro que eu considero isso uma injustiça, discordo totalmente dessa forma impessoal de relacionamento. Mas um das consequências dessa imposição é que, se somos cobrados e forçados a ter determinado comportamento, também cobramos o mesmo comportamentos das outras pessoas.

Eu tenho certeza de que se a compradora fosse avisada via e-mail sobre a situação da vendedora, tudo isso não teria se desenrolado. A compradora não é insensível, fria e calculista, e eu tive a oportunidade de perceber isso várias vezes.

Eu espero de coração que todos os problemas familiares pelos quais a vendedora vem passando se resolvam. Espero que essa situação desagradável que aconteceu entre compradora e vendedora nos sirva pra alguma coisa, precisamos aprender com isso.

Precisamos aprender que, quando nos propomos a fazer algo, seja grande ou pequeno, tem que ser bem feito, com seriedade, com responsabilidade, com profissionalismo.

Precisamos aprender que o fornecedor tem deveres, que o consumidor tem direitos.

Precisamos aprender a nos informar melhor antes de sair por aí sugerindo ou insinuando coisas que se provam inverdadeiras.

Precisamos deixar de lado a mania que temos de sermos parciais na hora de julgar um problema com nossos amigos. O que é justo, é justo. O que é certo, é certo. Tem que por a mão na cabeça e pensar "E se fosse comigo? Eu não teria feito a mesma coisa?" A resposta que você obtém colocando a mão na consciência é a resposta correta, e não a resposta que você obtém no calor do momento, no desespero de querer defender sem conhecer os fatos, sem se informar.

E, pra terminar de verdade, queria falar pras pessoas que passam sempre por aqui: ee desculpem de verdade se ofendi alguma de vocês, ou se alguém se sentiu mal por causa deste post. Mas o meu caráter não me permitiu ter ficado quieta vendo alguém ser crucificada dessa forma.

Pra minha amiga blogueira, queria dizer que eu também recebi comentários anônimos fazendo ameaças em outro blog , apaguei o post e me arrependi depois, pois não havia nada que realmente pudesse ser falado contra mim. Repito: não se sinta envergonhada por ter exercido o seu direito de consumidora. E o seu blog vai fazer muita falta. Já me disseram que tem como reverter o tal "delete". E se tudo isso ainda dói demais para você, deixa o tempo passar, deixa o tempo curar, e quando sentir que está na hora, volte com tudo! Eu sou uma que reconhece o seu direito de reclamar e que vai estar esperando por você, pela sua volta, e que vai te receber com um abraço suuuuuper apertado, mesmo que virtual!

Mão na consciência, gente, sempre!